terça-feira, 17 de agosto de 2010

A Marca de Amor



Marcelinho tinha uma cicatriz no rosto, as pessoas de seu colégio não falavam com ele e nem sentavam ao seu lado,
na realidade quando os colegas de seu colégio o viam franziam a testa devido à cicatriz ser muito feia.
Então a turma se reuniu com o professor e foi sugerido que aquele menino da cicatriz não frequentasse mais o colégio,
o professor levou o caso à diretoria do colégio.
A diretoria ouviu e chegou à seguinte conclusão:
Que não poderia tirar o menino do colégio, e que conversaria com o menino e ele seria o ultimo a entrar em sala de aula,
e o primeiro a sair, desta forma nenhum aluno via o rosto do Marcelinho, a não ser que olhassem para trás.
O professor achou magnífica a idéia da diretoria, sabia que os alunos não olhariam mais para trás.
Levado ao conhecimento do Marcelinho da decisão ele prontamente aceitou a imposição do colégio, com uma condição:
Que ele compareceria na frente dos alunos em sala de aula, para dizer o porquê daquela CICATRIZ.
A turma concordou, e no dia Marcelinho entrou em sala dirigiu-se a frente da sala de aula e começou a relatar:
- Sabe turma eu entendo vocês, na realidade esta cicatriz é muito feia, mas foi assim que eu a adquiri:
- Minha mãe era muito pobre e para ajudar na alimentação de casa minha mãe passava roupa para fora, eu tinha por volta
de 7 a 8 anos de idade...
A turma estava em silencio atenta a tudo.
O menino continuou: além de mim, haviam mais 3 irmãozinhos, um de 4 anos, outro de 2 anos e uma irmãzinha
com apenas alguns dias de vida.
Silêncio total em sala.
-... Foi aí que não sei como, a nossa casa que era muito simples, feita de madeira começou a pegar fogo, minha mãe
correu até o quarto em que estávamos pegou meu irmãozinho de 2 anos no colo, eu e meu outro irmão pelas mãos
e nos levou para fora, havia muita fumaça, as paredes que eram de madeira, pegavam fogo e estava muito quente...
Minha mãe colocou-me sentado no chão do lado de fora e disse-me para ficar com eles até ela voltar, pois minha mãe
tinha que voltar para pegar minha irmãzinha que continuava lá dentro da casa em chama.
Só que quando minha mãe tentou entrar na casa em chamas as pessoas que estavam ali, não deixaram minha mãe buscar
minha irmãzinha.
Foi aí que decidi.
Peguei meu irmão de 2 anos que estava em meu colo e o coloquei no colo do meu irmãozinho de 4 anos e disse-lhe
que não saísse dali até eu voltar.
Saí de entre as pessoas, sem ser notado e quando perceberam eu já tinha entrado na casa.
Havia muita fumaça, estava muito quente, mas eu tinha que pegar minha irmãzinha.
Eu sabia o quarto em que ela estava.
Quando cheguei lá ela estava enrolada em um lençol e chorava muito...
Neste momento vi caindo alguma coisa, então me joguei em cima dela para protegê-la, e aquela coisa quente
encostou-se em meu rosto...
A turma estava quieta atenta ao Marcelinho e envergonhada então o menino continuou:
Vocês podem achar esta CICATRIZ feia, mas tem alguém lá em casa que acha linda e todo dia quando chego em casa,

ela, a minha irmãzinha me beija porque sabe que é marca de AMOR.
Vários alunos choravam, sem saberem o que dizerem ou fazerem, mas Marcelinho foi para o fundo da classe
e imovelmente sentou-se.
Para você que leu esta história, queria dizer que o mundo está cheio de CICATRIZ.
Não falo da CICATRIZ visível, mas das cicatrizes que não se vêem, estamos sempre prontos a abrir cicatrizes nas pessoas,
seja com palavras ou nossas ações.
Há aproximadamente 2000 anos JESUS CRISTO, adquiriu algumas CICATRIZES em suas mãos, seus pés e sua cabeça.
Essas cicatrizes eram nossas, mas Ele, pulou em cima da gente, protegeu-nos e ficou com todas as nossas CICATRIZES..
Essas também são marcas de AMOR.
Jesus te ama, não por quem você é, mas sim pelo que você é, e para Jesus você é a pessoa mais importante deste mundo.
Nunca se esqueça disso!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

QUEM MATOU O AMOR?

Houve uma vez, na história do mundo, um dia terrível, em que o Ódio - o rei dos maus sentimentos, dos defeitos e das más virtudes - convocou uma reunião com todos os seus súditos. 

Todos os sentimentos obscuros do mundo e os desejos mais perversos do coração humano chegaram a essa reunião com muita curiosidade, porque queriam saber qual o motivo de tanta urgência. 

Quando todos já estavam presentes, falou o Ódio: 
- Os reuni aqui porque desejo matar alguém! 

Ninguém estranhou, pois era o Ódio quem estava falando e ele sempre queria matar alguém, mas perguntaram-se quem seria tão difícil de matar que o Ódio necessitaria da ajuda de todos. 
- Quero matar o Amor - disse o Ódio. 
Todos sorriram com maldade, pois todos ali tinha a mesma vontade. 
O primeiro voluntário a realizar a façanha, foi o Mau Caráter: 
- Eu irei e podem ter certeza que em um ano o Amor terá morrido! Provocarei tal discórdia e raiva que ele não vai suportar! 
Depois de um ano se reuniram outra vez e, ao escutar o relato de Mau Caráter, ficaram decepcionados: 
- Eu sinto muito. Bem que tentei de tudo, mas cada vez que eu semeava discórdia, o Amor superava e seguia seu caminho... 

A Ambição foi a próxima a se oferecer para executar a tarefa: 
- Já que Mau Caráter fracassou, irei eu. Desviarei a atenção do Amor com o desejo por riqueza e pelo poder! Isso ele nunca irá ignorar! 
E começou, então, a Ambição o seu ataque. O Amor caiu ferido, mas, depois de lutar arduamente, curou-se: renunciou a todo desejo exagerado de poder e triunfo... 

Furioso com o novo fracasso, o Ódio enviou os Ciúmes. Estes bufões perversos inventaram todo tipo de artimanhas e situações para confundir o Amor. Machucaram-no com dúvidas e suspeitas infundadas. 
Porém, mesmo confuso, o Amor chorou e pensou: 'Não quero morrer!' Com valentia e força se impôs sobre os Ciúmes e os venceu... 
Ano após ano, o Ódio seguiu em sua luta, enviando a Frieza, o Egoísmo, a Indiferença, a Pobreza, a Enfermidade e tantos outros! Todos fracassavam, sempre! 

Última reunião. Convencido de que o Amor era invencível, o Ódio admitiu: 
- Nada podemos fazer. O Amor suportou tudo! Levamos muitos anos insistindo e 
nada conseguimos! 

De repente, de um cantinho do auditório, se levantou um sentimento pouco conhecido e que se vestia normalmente, passando completamente desapercebido no meio dos demais sentimentos ali presentes, de forma tão evidentes! Ninguém lhe dava muita importância. 

- Eu matarei o Amor - disse com segurança. 
Todos se perguntavam: - Quem seria esse pretensioso que pretendia fazer o que nenhum deles havia conseguido? 
O Ódio ordenou: 
- Vá e faça! 
Não sei se passaram-se dias ou meses, nunca se percebe... 
O Ódio voltou a convocar a todos para comunicar de forma triunfal que finalmente o Amor havia morrido. Todos estavam felizes mas também surpresos. E o sentimento que ninguém prestava devida atenção, falou: 

- Aqui eu entrego a vocês o Amor, totalmente vencido, morto, acabado. 
E sem dizer mais palavra, encaminhou-se para a saída. 
- Espera! - exclamou o Ódio, dizendo: - Em tão pouco tempo você o eliminou 
completamente! Deixou-o desesperado, desiludido, sufocado e, por isso mesmo, ele não fez o menor 
esforço para viver! Quem é você afinal? 

Foi aí que o sentimento tantas vezes ignorado, pela primeira vez, levantou seu rosto e disse: 
- EU SOU A ROTINA...! 

Voando mais alto!

Conta-se que um aviador solitário retornava de viagem, quando foi surpreendido por violenta tempestade. Experiente, permaneceu tranqüilo, prosseguindo no rumo que traçara. Não seria a primeira tempestade que enfrentaria. E, com certeza, não seria a última.

De repente, começou a ouvir um estranho ruído. De início, não deu maior atenção. Contudo, pouco depois, o barulho aumentou, preocupando-o. Começou a vasculhar sua cabine e se deparou com um rato roendo um dos canos condutores de combustível. Ele não sabia o que fazer para se livrar daquele importuno passageiro, que poderia levá-lo à queda. Não poderia agarrá-lo e jogá-lo para algum canto, porque nesses movimentos poderia desestabilizar o avião.
Achou que poderia pousar em um aeroporto e se livrar do incômodo passageiro, mas, por causa da tempestade, isso era impossível. Enquanto maquinava em sua mente a atitude correta a tomar, percebeu que o rato sofria para respirar na altura em que estavam. Rapidamente, ele tomou a decisão e começou a voar mais alto, cada vez mais alto. Finalmente, o rato não suportou a altura e morreu. O piloto então pode prosseguir a sua viagem, chegando a seu destino, conforme desde o início planejara.

Às vezes somos surpreendidos por incômodos passageiros ao nosso lado, à semelhança desse aviador da historieta.
Cada pessoa é responsável pela rota de sua vida, pelas escalas, por tudo. Está em nós o senso de vigilância para não permitir que idéias e fatos estranhos a nós, possam embaraçar nossas vidas. Sejamos firmes em nossos ideais, não permitindo que a negligência arruine o "trem" de nossoas vidas! Voemos mais alto, bem mais alto!
 
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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O que é saudade?

 
(Artigo do Dr. Rogério Brandão, Médico oncologista, Recife) 

Como médico cancerologista, já calejado, com longos 29 anos de atuação profissional, posso afirmar que cresci e modifiquei-me com os dramas vivenciados pelos meus pacientes.

Não conhecemos nossa verdadeira dimensão até que, pegos pela adversidade, descobrimos que somos capazes de ir muito mais além.

Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde dei meus primeiros passos como profissional.

Comecei a frequentar a enfermaria infantil e apaixonei-me pela oncopediatria.

Vivenciei os dramas dos meus pacientes, crianças vítimas inocentes do câncer.

Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao ver o sofrimento das crianças.

Até o dia em que um anjo passou por mim! Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada por dois longos anos de tratamentos diversos, manipulações, injeções e todos os desconfortos trazidos pelos programas de químicos e radioterapias.

Mas nunca vi o pequeno anjo fraquejar.

Vi-a chorar muitas vezes; também vi medo em seus olhinhos; porém, isso é humano!

Um dia, cheguei ao hospital cedinho e encontrei meu anjo sozinho no quarto.
Perguntei pela mãe ...

A resposta que recebi, ainda hoje, não consigo contar sem vivenciar profunda emoção.

- Tio, disse-me ela, às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondido nos corredores. Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade.

Mas, eu não tenho medo de morrer, tio. Eu não nasci para esta vida!"
Indaguei:

- E o que morte representa para você, minha querida ?

- Olha tio, quando a gente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama do nosso pai e, no outro dia, acordamos em nossa própria cama, não é ?" (Lembrei das minhas filhas, na época crianças de 6 e 2 anos; com elas, eu procedia exatamente assim.)

- É isso mesmo.

- Um dia eu vou dormir e o meu Pai vem me buscar... Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira!

Fiquei "engasgado"; não sabia o que dizer. Chocado com a maturidade com que o sofrimento acelerou, a visão e a espiritualidade daquela criança.

- E minha mãe vai ficar com saudades, emendou ela.

Emocionado, contendo uma lágrima e um soluço, perguntei:

- E o que saudade significa para você, minha querida ?

- Saudade é o amor que fica !

Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um a dar uma definição melhor, mais direta e simples para a palavra saudade:

 
"é o amor que fica".