Quando comecei a conhecer esse mundo chamado internet ainda não havia Orkut, face, MSN e outros tantos. Foi então que criei um site chamado O Missionário, mesmo nome de um jornal que eu editava e era responsável. Havia na época um hospedeiro gratuito que se chamava intermega e eu procurava atualizar semanalmente.
Confesso que não me sentia a vontade neste novo mundo e criei um apelido e só me identificava com ele (Deleon). Depois que encontrei meu pai na internet e meus irmãos passei a colocar foto e usar o nome, assim facilita que pessoas possam me encontrar.
Neste site, eu colocava mensagens, assuntos teológicos e até receitas. Como o jornal tinha ligações com a paróquia de Santo Antônio eu destinei um cantinho para colocar a vida deste herói da fé, que viveu divulgando a Santa Escritura. Foi aí que começou a história de uma amizade.
No site havia um lugar para que as pessoas colocassem opiniões e comentários. Um dia recebi uma mensagem de um gaúcho sexagenário que me dizia mais ou menos assim: Caro Deleon, sou um ateu e acredito que Deus tenha sido criação do homem e não o contrário. Porém, sendo filho de imigrantes italianos, perdi meus pais ainda criança e a única coisa que tenho deles é uma velha imagem de santo Antônio, e tenho curiosidade de saber alguma coisa este personagem.
Meus amigos, formam várias prosas, no antigo ICQ, que fortaleceram uma amizade. Encurtando a história, narrei à vida de Frei Antônio sempre destacando que ele era lembrado até hoje (mais de 800 anos depois da morte) por ter seguido a Jesus e divulgado o Evangelho. E foi assim que o amigo começou a sentir a vontade de conhecer Jesus. Logo depois, queria como frei Antônio, se dedicar a ajudar os irmãos e divulgar as palavras do Salvador.
Esta história daria um livro se eu fosse colocar cada passo dessa caminhada. O Gaúcho procurou uma Igreja local, contou ao pároco essas nossas prosas e começou a estudar e se preparar para o batismo e primeira comunhão (catecumenato).
Não foi o suficiente para o velho gaúcho. A sede de Jesus era grande. Tornou-se Ministro da Eucaristia, agora o homem que era ateu levava a Palavra, o conforto e Cristo Eucarístico para os doentes e necessitados.
Ainda era pouco. O amigo então desejou ser Diácono permanente. Para os que não sabem, diácono permanente é o mesmo que um padre, só não podendo ouvir confissões e transformar o pão e vinho em corpo e sangue de Cristo. Como era casado o amigo não poderia receber o sacramento da Ordem (ser ordenado padre). Mas poderia realizar cultos, batismo e até administrar uma capela ou paróquia.
Seria agora em junho, no dia de São Pedro, que o gaúcho realizaria este sonho. O câncer não permitiu. O amigo pediu a neta dele que assim que ele se fosse me entregasse um e-mail. Nele, o amigo agradecia por ter mostrado um rumo e que mesmo sabendo que restava pouco tempo de vida me disse que estava feliz e pronto para a vida eterna.
Meus amigos, eu choro até com filmes, imagine numa hora dessas?. Mas... Estranho que é um misto de dor pela saudade de um amigo que nunca vi pessoalmente mas que era tão importante e se foi, e a alegria de ver que um homem vazio conseguiu ser feliz e encontrou um caminho. Ele não precisava ter me agradecido. Eu é que deveria ter agradecido por tudo e pelos ensinamentos que ele me deu, mesmo não sabendo. É apenas um até logo. A caminhada do gaúcho aqui terminou, Deus o receberá de braços abertos na Jerusalém Celeste. Ele terminou o e-mail dizendo que ia continuar jogando bola de gude (Outra hora explico isso)
Meus amigos, estou comentando isso para que vocês percebam que a internet pode ser diferente. Nós podemos fazer com que seja diferente. Ouvir e dar atenção com amor a quem precisa, independente de raça, cor, religião, posição social. Ninguém nasce odiando ninguém, odeiam porque ensinam. Vamos ensinar amar. Todos podemos aprender e podemos ensinar. O homem é capaz de Deus e Deus é Amor.