terça-feira, 10 de agosto de 2010

QUEM MATOU O AMOR?

Houve uma vez, na história do mundo, um dia terrível, em que o Ódio - o rei dos maus sentimentos, dos defeitos e das más virtudes - convocou uma reunião com todos os seus súditos. 

Todos os sentimentos obscuros do mundo e os desejos mais perversos do coração humano chegaram a essa reunião com muita curiosidade, porque queriam saber qual o motivo de tanta urgência. 

Quando todos já estavam presentes, falou o Ódio: 
- Os reuni aqui porque desejo matar alguém! 

Ninguém estranhou, pois era o Ódio quem estava falando e ele sempre queria matar alguém, mas perguntaram-se quem seria tão difícil de matar que o Ódio necessitaria da ajuda de todos. 
- Quero matar o Amor - disse o Ódio. 
Todos sorriram com maldade, pois todos ali tinha a mesma vontade. 
O primeiro voluntário a realizar a façanha, foi o Mau Caráter: 
- Eu irei e podem ter certeza que em um ano o Amor terá morrido! Provocarei tal discórdia e raiva que ele não vai suportar! 
Depois de um ano se reuniram outra vez e, ao escutar o relato de Mau Caráter, ficaram decepcionados: 
- Eu sinto muito. Bem que tentei de tudo, mas cada vez que eu semeava discórdia, o Amor superava e seguia seu caminho... 

A Ambição foi a próxima a se oferecer para executar a tarefa: 
- Já que Mau Caráter fracassou, irei eu. Desviarei a atenção do Amor com o desejo por riqueza e pelo poder! Isso ele nunca irá ignorar! 
E começou, então, a Ambição o seu ataque. O Amor caiu ferido, mas, depois de lutar arduamente, curou-se: renunciou a todo desejo exagerado de poder e triunfo... 

Furioso com o novo fracasso, o Ódio enviou os Ciúmes. Estes bufões perversos inventaram todo tipo de artimanhas e situações para confundir o Amor. Machucaram-no com dúvidas e suspeitas infundadas. 
Porém, mesmo confuso, o Amor chorou e pensou: 'Não quero morrer!' Com valentia e força se impôs sobre os Ciúmes e os venceu... 
Ano após ano, o Ódio seguiu em sua luta, enviando a Frieza, o Egoísmo, a Indiferença, a Pobreza, a Enfermidade e tantos outros! Todos fracassavam, sempre! 

Última reunião. Convencido de que o Amor era invencível, o Ódio admitiu: 
- Nada podemos fazer. O Amor suportou tudo! Levamos muitos anos insistindo e 
nada conseguimos! 

De repente, de um cantinho do auditório, se levantou um sentimento pouco conhecido e que se vestia normalmente, passando completamente desapercebido no meio dos demais sentimentos ali presentes, de forma tão evidentes! Ninguém lhe dava muita importância. 

- Eu matarei o Amor - disse com segurança. 
Todos se perguntavam: - Quem seria esse pretensioso que pretendia fazer o que nenhum deles havia conseguido? 
O Ódio ordenou: 
- Vá e faça! 
Não sei se passaram-se dias ou meses, nunca se percebe... 
O Ódio voltou a convocar a todos para comunicar de forma triunfal que finalmente o Amor havia morrido. Todos estavam felizes mas também surpresos. E o sentimento que ninguém prestava devida atenção, falou: 

- Aqui eu entrego a vocês o Amor, totalmente vencido, morto, acabado. 
E sem dizer mais palavra, encaminhou-se para a saída. 
- Espera! - exclamou o Ódio, dizendo: - Em tão pouco tempo você o eliminou 
completamente! Deixou-o desesperado, desiludido, sufocado e, por isso mesmo, ele não fez o menor 
esforço para viver! Quem é você afinal? 

Foi aí que o sentimento tantas vezes ignorado, pela primeira vez, levantou seu rosto e disse: 
- EU SOU A ROTINA...! 

Nenhum comentário:

Postar um comentário